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Economia

Dividendos de 10%? Por Que o Mercado Pode Estar Errado Sobre a Vale

Você, investidor, que olha para o gráfico da Vale (VALE3) nos últimos meses, provavelmente vê uma ação “andando de lado”, pressionada pelas incertezas da economia chinesa e pela volatilidade do minério de ferro. No entanto, um dos principais bancos de investimento do país, o Itaú BBA, acaba de reiterar sua recomendação de “compra”, enxergando um potencial significativo de valorização. Como pode haver um abismo tão grande entre o sentimento do mercado e a análise de especialistas? A resposta está em três pilares que sustentam uma tese de investimento robusta, mas que muitos parecem ignorar. Portanto, este guia foi elaborado para você. Nele, vamos dissecar a visão do Itaú BBA e mostrar por que a Vale pode ser a barganha escondida na sua carteira.

Pilar 1: A Máquina de Dividendos

Este é, talvez, o argumento mais poderoso e o que você precisa entender primeiro. O Itaú BBA projeta que a Vale pode pagar um dividend yield (retorno em dividendos) de cerca de 10% em 2025. Em um país com a Selic em queda, um retorno dessa magnitude em uma empresa deste porte é algo extraordinário.

  • De Onde Vem o Dinheiro? A Vale é uma das maiores geradoras de caixa do mundo. Mesmo com o preço do minério de ferro abaixo dos picos históricos, a operação da empresa é tão eficiente que ela gera bilhões de dólares em lucro. Com a dívida sob controle, uma grande parte desse caixa “sobra” e tem que ir para algum lugar. O principal destino é o bolso do acionista, na forma de dividendos.
  • O Veredito do Banco: O BBA acredita que o mercado está subestimando essa capacidade de geração de caixa e, consequentemente, o potencial de remuneração aos acionistas. Para o investidor focado em renda, a tese é clara: comprar VALE3 hoje pode significar garantir um fluxo de pagamentos robusto no futuro próximo.

Pilar 2: O Rei Minério e o Dragão Chinês

Toda a tese da Vale depende do preço do minério de ferro. E o maior consumidor do mundo é a China. O mercado teme uma desaceleração chinesa, o que derrubaria o preço do minério. A visão do Itaú BBA, no entanto, é mais otimista e nuançada.

  • Demanda Resiliente: O banco acredita que o preço do minério deve se manter em um patamar saudável, acima de US$ 110 por tonelada. Por quê? Porque mesmo que a construção de imóveis na China desacelere, o país continua demandando aço para infraestrutura, manufatura e exportação. Além disso, a China tem uma meta de aumentar a qualidade de seu aço, o que favorece o minério de alta qualidade produzido pela Vale.
  • Oferta Limitada: Este é um ponto crucial. Não há previsão de entrada de novas grandes minas no mercado global nos próximos anos. Com a oferta restrita, qualquer nível de demanda minimamente estável já é suficiente para sustentar os preços em patamares elevados.

Pilar 3: A Barganha na Bolsa (Valuation)

Este é o pilar do investidor de valor. O Itaú BBA argumenta que, simplesmente, a ação está barata.

  • Múltiplos Descontados: O banco calcula que a Vale está sendo negociada a um múltiplo EV/EBITDA (um indicador de quão cara a empresa está em relação à sua geração de caixa operacional) muito abaixo de sua média histórica e, principalmente, com um grande desconto em relação aos seus pares globais, como as gigantes australianas Rio Tinto e BHP.
  • O Que Isso Significa Para Você? Significa que você estaria pagando menos por uma capacidade de gerar lucro similar ou até superior à de seus concorrentes. O mercado está “punindo” a Vale, seja pelo “risco-Brasil” ou pelo pessimismo com a China, e o BBA acredita que essa punição é exagerada, criando uma oportunidade de compra.

O Fator X: A Nuvem de Incerteza de Samarco

O relatório também aponta para um catalisador que pode destravar valor: a resolução definitiva do acordo de reparação pelo desastre de Mariana (Samarco/Fundação Renova). Essa é uma grande nuvem de incerteza que paira sobre a empresa. No momento em que um acordo final for assinado, mesmo que o valor seja alto, a incerteza desaparece. O mercado odeia incerteza, e a remoção desse fator de risco pode, por si só, levar a uma reavaliação positiva do preço da ação.

Em resumo, a tese de compra do Itaú BBA para a Vale é um clássico caso de “valor versus sentimento”. Enquanto o sentimento do mercado está negativo, os fundamentos (geração de caixa para dividendos, preços de minério resilientes e valuation barato) apontam para uma oportunidade clara.

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