Ethereum Supera Bitcoin enquanto Dólar Sintético Marca Presença
Especialistas de 12 instituições financeiras compilaram uma lista com as principais recomendações para o mês
Durante julho, o Bitcoin (BTC) registrou valorização de 8,13%, resistindo às turbulências macroeconômicas geradas pelas políticas tarifárias de Donald Trump globalmente. Contudo, o destaque real ficou por conta do Ethereum (ETH), ocupando a segunda posição no ranking de criptomoedas por capitalização.
Celebrando seu décimo aniversário, a criptomoeda disparou 50%, impulsionada por ingressos históricos em ETFs – principalmente vindos de investidores institucionais – e legislações pró-cripto nos Estados Unidos, favorecendo diretamente o ecossistema.
Analistas projetam que o ativo continuará magnetizando capital adicional. Esta perspectiva explica por que o ETH lidera as recomendações para agosto: das 12 casas analisadas, 9 incluíram o token em seus portfólios – superando até mesmo o Bitcoin na preferência.
Paralelamente ao entusiasmo pelo Ethereum, destaca-se a inclusão da Ethena (ENA), uma “cripto dólar” diferenciada. Trata-se de uma stablecoin vinculada ao dólar americano numa relação 1:1, fazendo cada token valer US$ 1. Entretanto, sua mecânica difere das stablecoins convencionais como USD Coin (USDC) e Tether (USDT), que dependem de reservas bancárias. A Ethena desenvolve o USDe, um dólar sintético baseado em estratégias sofisticadas de derivativos, aproveitando divergências entre mercados spot e futuros.
Francis Wagner, head de criptomoedas da Hurst Capital, destacou: “O protocolo desperta interesse ao disponibilizar uma arquitetura inovadora de stablecoin sintética geradora de rendimento, modelo que captou investimentos significativos de grandes fundos de venture capital”.
Veja os ativos mais sugeridos para agosto – listados apenas aqueles mencionados por no mínimo duas instituições diferentes.
9 Criptomoedas Indicadas para Investimento em Agosto
| Criptomoedas | Nº de recomendações | Performance (acumulado de 30 dias) |
|---|---|---|
| Ethereum (ETH) | 9 | 41% |
| Bitcoin (BTC) | 8 | 5,8% |
| Solana (SOL) | 4 | 9,7% |
| XRP (XRP) | 3 | 34,60% |
| Ethena (ENA) | 3 | 140,70% |
| Aave (AAVE) | 2 | -4,30% |
| Maple Finance (SYRUP) | 2 | -20,60% |
| Bitcoin Cash (BCH) | 2 | 14,50% |
| Ondo Finance (ONDO) | 2 | 19% |
Fontes: QR Asset, Empiricus, Uniera, Mercado Bitcoin, Boost Research, Bitso, Foxbit, Mercado Bitcoin (MB), MEXC, Bitybank, NovaDAX e Hurst Capital.
Ethereum (ETH)
A equipe de research do Mercado Bitcoin (MB) fundamenta a recomendação do Ethereum em três pilares: crescimento consistente – com o Total Value Locked (TVL) do projeto, representando o volume de criptomoedas em sua rede, superando US$ 170 bilhões; legislações favoráveis para criptoativos nos Estados Unidos, como o GENIUS Act aprovado em junho, construindo um ambiente regulatório propício que pode impulsionar a emissão de stablecoins beneficiando diretamente o Ethereum; e o influxo de capital institucional, totalizando mais de US$ 5,4 bilhões somente em julho.
Bitcoin (BTC)
Theodoro Fleury, gestor e diretor de investimentos da QR Asset Management, aponta que a postura mais restritiva no último comunicado do FOMC e indicadores recentes de ressurgimento inflacionário americano podem desencadear correções em ativos de risco nas próximas semanas. “Nestes cenários, a dominância do Bitcoin costuma crescer, conquistando maior participação frente aos demais ativos”, explicou. Adicionalmente, as Bitcoin Treasury companies (empresas mantendo BTC em reservas) intensificam o acúmulo agressivo de criptomoedas, potencialmente sustentando as cotações.
Solana (SOL)
A Solana fechou julho apresentando alta volatilidade, porém preservando estrutura técnica favorável no médio prazo, conforme Francis Wagner, head de criptomoedas da Hurst Capital. “Depois de recuar até os US$ 175, o ativo estabelece suporte técnico consistente e pode almejar rupturas acima de US$ 195 se o volume recuperar impulso. O otimismo relacionado à sua escalabilidade, combinado com o entusiasmo gerado por ETFs e sua excepcional performance on-chain (transações executadas diretamente na blockchain), posiciona a SOL entre os destaques das altcoins (denominação para qualquer criptomoeda além do Bitcoin) de primeira camada (referente à infraestrutura fundamental de uma blockchain).”
XRP (XRP)
A equipe da exchange Foxbit ressaltou que a Ripple, desenvolvedora da criptomoeda XRP, finalizou prolongado litígio com a SEC (equivalente à CVM nos EUA), fortalecendo o ativo digital. “Com maior clareza regulatória, o token retornou ao foco de exchanges e investidores institucionais – incluindo ETFs lastreados já funcionando nos Estados Unidos e Canadá”, informaram. A atuação da Ripple em pagamentos internacionais mantém-se ativa, segundo a corretora, e a perspectiva de aprovação de um ETF spot até o fim do ano pode iniciar nova onda valorativa. “O patamar de US$ 3 tornou-se suporte relevante para monitoramento”. O XRP negocia a US$ 2,99 na segunda-feira (4).
Ethena (ENA)
A cripto dólar evolui como solução inovadora de proteção e rendimento em dólar sintético (USDe), segundo Andre Franco, CEO da Boost Research. Conforme o especialista, durante períodos de incerteza macroeconômica como o atual, ativos oferecendo proteção cambial e geração de yield não-direcional ganham relevância. “O protocolo viabiliza exposição a stablecoins com retornos derivados de posições em derivativos, mostrando-se extremamente atrativo em ciclos de lateralização ou correções leves”. Complementarmente, a incorporação progressiva de USDe em plataformas relevantes de finanças descentralizadas (DeFi) e a proximidade do lançamento de sua nova rede denominada Converge podem funcionar como catalisadores adicionais de adoção em agosto. Hurst Capital e MB também incorporaram a cripto em suas carteiras mensais.
Aave (AAVE)
Valter Rebelo, head de cripto da Empiricus Research, considera que a Aave também deve beneficiar-se diretamente da crescente valorização da narrativa das stablecoins, impulsionada pela aprovação do GENIUS Act, estabelecendo diretrizes claras para esta categoria de ativos nos Estados Unidos. “O crescimento no volume e adoção de stablecoins representa potencial fluxo de capital para o ecossistema Aave, já consolidado como um dos protocolos mais seguros e resilientes do setor – amplamente testado ao longo dos últimos anos, inclusive durante períodos extensos de baixa.”
Maple Finance (SYRUP)
Maple Finance constitui um protocolo de empréstimos descentralizados direcionado para suprir demanda específica do mercado: crédito institucional, especialmente empresas do setor cripto necessitando empréstimos em grandes volumes. Para Rebelo, com a consolidação da tecnologia blockchain e progresso de regulamentações pró-inovação, aumenta o interesse por soluções como a Maple – algo evidenciado no crescimento consistente do volume de empréstimos e geração de receita. “Empresas cripto aproveitam o momento atual de mercado e, ao buscarem expandir operações, necessitam acesso a crédito – exatamente o que o protocolo disponibiliza, colateralizado em ativos que essas empresas já mantêm em tesouraria.”
Bitcoin Cash (BCH)
Originário do Bitcoin, o BCH integra as recomendações de agosto da corretora Bitso e do banco digital cripto Bitybank. Gabriel Alves, vice-presidente global de produto da Bitso, explicou que um dos motivos para seleção do token reside nas projeções analíticas de “possível escalada até a faixa de US$ 620 – US$ 680”. Atualmente, a cripto negocia a US$ 522,07. Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank, destacou a importância de observar o ativo digital por ter consolidado ganhos após rally recente, “preservando suporte técnico e estrutura altista” além de “correção de curto prazo que pode abrir espaço para nova perna de alta.”
Ondo Finance (ONDO)
O segmento RWA – área onde ativos tradicionais transformam-se em formato digital através de tokenização – ganha tração com o progresso de iniciativas reguladas e integração de ativos do mundo real em blockchains públicas, especialmente entre instituições financeiras tradicionais interessadas em tokenizar crédito privado, títulos do tesouro, imóveis, entre outros. Este contexto, segundo Caio Villa, CIO da Uniera, pode favorecer o Ondo Finance (ONDO), que possibilita o desenvolvimento de projetos RWA.
